O preço do café arábica bateu a máxima da história em 2025 e rompeu um teto que resistia desde 1977. Por trás da xícara está um país que reina no setor. E o Paraná tem uma história profunda com esse grão.
O Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo, dono de cerca de 38% da produção global. Em 2025, a oferta apertada e a demanda firme empurraram os preços para um patamar que ninguém tinha visto antes. O café virou um dos ativos agrícolas mais comentados do planeta.
A disparada não foi sorte. A seca e o calor forte de 2024 atrapalharam a florada do arábica e encolheram a safra 2024/25. Os estoques globais certificados caíram para a mínima de quase dois anos. E o mundo acumula anos seguidos de déficit de arábica. Menos café disponível, com gente querendo comprar, significa preço alto e prêmio para quem produz com qualidade.
O Paraná já foi o coração cafeeiro do Brasil. Londrina ganhou o apelido de capital mundial do café nos anos 1960 e 1970, e em 1975 o estado chegou a colher cerca de metade da produção nacional. Tudo mudou em 18 de julho de 1975, com a Geada Negra, que dizimou os cafezais e empurrou a cafeicultura para o Sudeste.
Hoje Minas Gerais domina a produção, mas a memória técnica do café no Paraná continua viva. E o ciclo de preços altos recoloca a cultura no mapa das oportunidades.
Veja o tabaco, a cultura de alto valor mais consolidada do país, e o cacau, que viveu a sua própria explosão de preço.
Fontes desta página: Perfect Daily Grind (recorde do arábica em fevereiro de 2025), CEPEA-ESALQ/USP (preço da saca), Cecafé via DatamarNews (receita de exportação 2024/25), USDA via DatamarNews (produção e fatia global), Exame (história do café no Paraná).