O agro move quase um quarto da economia. A cidade investe em ação, imóvel, cripto. No campo, ninguém pensa. A Urban Farmer veio virar essa mesa.
O agro move quase um quarto da economia do Brasil, mas nem toda cultura rende igual na terra. A tabela mostra, para cada cultura, o faturamento por hectare ano a ano, ou seja, quanto ela vende num hectare, e o custo aproximado de produzir. Não é lucro nem retorno de investimento. É o que entra e o que sai no campo, por hectare.
| Cultura | Área plantada | Faturamento por hectare (R$) | Custo/ha aprox. | ||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 2020 | 2021 | 2022 | 2023 | 2024 | |||
| Tabaco | 333 mil ha | 17.111 | 19.465 | 26.038 | 32.699 | 36.784 | ~R$ 20 mil |
| Café | 1,94 mi ha | 14.372 | 19.007 | 27.810 | 22.979 | 35.600 | R$ 20 a 36 mil |
| Cacau | 618 mil ha | 5.486 | 6.613 | 6.822 | 7.562 | 24.733 | ~R$ 8 a 12 mil |
| Algodão | 1,99 mi ha | 11.713 | 19.331 | 19.770 | 17.576 | 15.742 | ~R$ 15.900 |
| Mandioca | 1,25 mi ha | 8.977 | 10.495 | 13.165 | 15.977 | 14.702 | ~R$ 8 a 11 mil |
| Arroz | 1,63 mi ha | 6.933 | 11.330 | 9.567 | 11.976 | 14.071 | ~R$ 17.400 |
| Cana-de-açúcar | 10,1 mi ha | 6.056 | 7.549 | 9.505 | 10.148 | 10.444 | ~R$ 13 mil |
| Soja | 46,2 mi ha | 4.547 | 8.711 | 8.460 | 7.850 | 5.669 | ~R$ 6.000 |
| Feijão | 2,74 mi ha | 4.010 | 4.611 | 4.697 | 4.751 | 4.625 | R$ 3,7 a 12 mil |
| Milho | 21,4 mi ha | 3.966 | 6.118 | 6.550 | 4.563 | 4.159 | ~R$ 4.500 |
| Trigo | 2,93 mi ha | 2.785 | 3.998 | 4.957 | 2.301 | 3.008 | ~R$ 5.900 |
Área plantada (2024) e faturamento por hectare (2020 a 2024, em R$): IBGE /
Produção Agrícola Municipal, tabela 5457.
Faturamento é o valor da produção dividido pela área colhida, ano a ano. O
custo por hectare é aproximado. Para a maioria das culturas vem de institutos
setoriais e regionais (CONAB, IRGA, IMEA, DERAL-PR, CEPEA, SENAR). Para tabaco,
cacau, cana e mandioca, que são divulgados por quilo, tonelada ou arroba, é uma
estimativa a partir do custo por unidade e da produtividade típica.
Leia com cuidado. É faturamento, não lucro nem retorno de investimento, porque a receita bruta não desconta custo, frete, imposto nem risco. Faturamento (média nacional do IBGE) e custo (de região tecnificada, safras 2023/24 e 2024/25) vêm de bases diferentes, então servem para dar ordem de grandeza, não para subtrair um do outro. 2024 foi um ano de preço atípico para café e cacau, que puxou o número de um ano só para cima, e é por isso que a tabela mostra os cinco anos. Os grãos (soja, milho, trigo) tiveram faturamento perto ou abaixo do custo em 2024 porque foi um ano apertado para commodity, com preço em baixa e insumo caro. É o retrato de uma margem fina, não uma conta de prejuízo. O café soma arábica e conilon.
Três culturas, três lógicas. A gente explica cada uma, com a fonte ao lado.
Cultura técnica e intensiva. A variedade, a cura da folha e a classificação decidem o valor, e quase toda a produção segue para o mercado externo.
Ler a lógica do tabaco → CaféPlanta perene e lenta, num mercado que o Brasil lidera. Quando o clima aperta, a oferta não reage e o preço dispara. Qualidade vira margem.
Ler a lógica do café → CacauMais da metade do cacau do mundo vem de dois países. Uma quebra na África abriu um déficit raro e uma janela para o produtor brasileiro, puxado pelo Pará.
Ler a lógica do cacau →Toda semana, um novo artigo sobre investimento no agro chega primeiro para quem está no grupo: notícias, números, bastidores da lavoura e leituras sobre SCP, FIAGRO, CRA e culturas de alto valor. O Radar não vende cota. Ele te coloca mais perto do campo antes da manchete chegar na cidade.
Você viu os números. Agora a parte que ninguém te conta: o campo foi um clube fechado de propósito.
Para entrar, sempre pediram a mesma coisa. Terra. Trator. Herança. Sorte. Um muro alto entre quem mora na cidade e o melhor negócio do Brasil.
Esse muro caiu.
Hoje dá para participar do agro de várias formas: FIAGRO, CRA, terra, arrendamento, sociedade direta, SCP. Cada caminho tem uma lógica. O nosso papel no público é abrir o mapa, explicar as diferenças e mostrar por que o campo merece estar na conversa de quem investe na cidade.
O agro não é clube. É campo aberto.
O objetivo do site público é organizar o mapa. Cada formato tem uma lógica, um risco, um prazo e um grau diferente de proximidade com o campo.
A porta mais acessível: investimento via mercado financeiro, com liquidez maior e exposição indireta ao agro.
Começar pela bolsa 02O caminho clássico: mais direto, mais pesado em capital, menos líquido e muito dependente de execução.
Entender a terra 03Pouco conhecida e poderosa quando bem estruturada: um contrato entre sócios para participar de uma operação real.
Ver por que damos destaque 04Tabaco, café e cacau mostram uma parte do agro que a cidade acompanha pouco: margem, ciclo e mercado.
Conhecer as culturasDados do agro com fonte clicável, reunidos na Biblioteca.
Comparativo entre FIAGRO, CRA, terra, arrendamento e SCP.
Culturas de alto valor explicadas sem jargão: tabaco, café e cacau.
Você não precisa de nenhuma delas.
Dá para se expor ao agro sem ser dono de um metro de chão.
Existem caminhos em que a gestão fica com quem entende da operação.
O acesso ao campo não precisa depender de sobrenome rural.
Toda semana, um novo artigo sobre investimento no agro é enviado primeiro para quem faz parte do Radar. Depois ele entra aqui, aberto para leitura.
Variedades, ciclo, cura em estufa e classificação da folha. Como funciona, por dentro, uma das culturas mais técnicas do agro brasileiro.
Ler artigo →Planta lenta, mercado liderado pelo Brasil e prêmio de qualidade. Por que o café dá mais retorno que grão, e por que isso vem com risco.
Ler artigo →Uma quebra na África concentrou o mundo num aperto de oferta e abriu espaço para o produtor brasileiro, puxado pelo Pará.
Ler artigo →A trajetória que abriu o campo para o investidor comum, e por que ela acelerou tanto nos últimos anos.
Ler artigo →Tabaco, café e cacau bateram recordes enquanto a cidade olhava para outro lado.
Ler artigo →A pergunta que o investidor urbano nunca se fez, e o que a resposta diz sobre o ponto cego da cidade.
Ler artigo →Esse é o nosso movimento. Se a cidade entender o campo, todo mundo ganha: o país, o produtor e quem investe. Comece pelo começo.
Entender o agro brasileiro